Menino que vende trufas com os pais relata humilhação: 'mulher disse para as filhas estudarem para não ficarem iguais a mim'.

Menino que vende trufas com os pais relata humilhação: 'mulher disse para as filhas estudarem para não ficarem iguais a mim'.

Luiz Neto, de 11 anos, estava vivendo um dia normal em sua rotina, vendendo bombons para ajudar a família, quando, em uma pizzaria na Zona Norte de Teresina, ouviu uma mulher dizer para as filhas que elas deveriam estudar para não ficarem iguais a ele. O menino, que está prestes a começar o 6º ano e sonha em ser defensor público, disse que ficou muito triste com a atitude da mulher.

O caso aconteceu no domingo (19/01) e ganhou repercussão nas redes socais. Comovidos com a história de Luiz Neto, servidores da Defensoria Pública do Estado do Piauí entraram em contato com a família dele e marcaram uma visita do menino ao local, onde ele conheceu o Defensor Público Geral, Erisvaldo Marques dos Reis, nesta quarta-feira (22/01).

Segundo Neto Moreira, pai do menino, a venda de bombons e o salário da esposa, que é emprega doméstica, são as principais fontes de renda da família. Ele disse o filho estava apenas oferecendo os bombons na pizzaria onde a família costuma vender quando a mulher alertou as filhas para não seguirem o exemplo dele.

"Ele ficou muito triste, mas a princípio não comentou com a gente. A mãe dele comentou que ele tinha sido destratado, primeiro eu não dei muita bola, mas quando ele me disse a versão como tinha sido, fiquei com muita raiva e queria fazer de tudo para defender a honra do meu filho. Em uma forma de desabafar, coloquei em nossa página no Instagram”, completou.

Repercussão

O desabafo gerou uma onda de comentários apoiando a família e, depois que o caso ganhou repercussão, algumas pessoas ficaram sensibilizadas com o ocorrido e resolveram ajudar a família.

Luiz Neto ganhou uma bolsa de estudo integral em uma escola particular da capital. ”Não sabia que as pessoas iriam reagir dessa forma, muita gente começou a me ligar, nos reconhecer, além da bolsa de estudos até o terceiro ano do ensino médio, ele ganhou curso de reforço de computação e material escolar”, contou o pai.

Além do convite para conhecer a Defensória Pública do Piauí. “Eu fiquei muito feliz e emocionado por fazer essa visita, até sentei na cadeira do defensor. Meu sonho é ser um defensor público, porque ele defende direito dos mais pobres e humildes”, disse Luiz Neto.

Neto Moreira, que tinha cursado até o 8º período do curso de direito e teve que deixar os estudos, também recebeu uma bolsa de estudos para completar o ensino superior em uma faculdade particular.