Na zona rural de Santa Inês (MA), moradores de comunidades isoladas decidiram erguer com as próprias mãos uma ponte improvisada para garantir a travessia sobre um curso d’água, após longos meses sem manutenção da estrutura anterior e sem resposta efetiva da Prefeitura Municipal. A ação, que deveria ser de responsabilidade do poder público, revela o descaso das autoridades com a infraestrutura rural e as dificuldades enfrentadas por quem vive fora da área urbana.

Segundo relatos de moradores, a antiga ponte, que liga povoados e facilita o deslocamento diário de famílias, havia se deteriorado a ponto de tornar perigosa sua utilização — especialmente em períodos de chuva, quando o nível do rio sobe e compromete a passagem. Sem ação da prefeitura para promover reparos ou substituição da estrutura, as pessoas se organizaram em mutirões para construir uma nova passagem mínima, capaz de suportar a circulação a pé e de pequenos veículos.
A situação expõe a carência de investimentos em serviços básicos de infraestrutura nas áreas rurais de Santa Inês, onde a falta de manutenção de pontes, estradas e acessos contribui para o isolamento de comunidades e dificulta o acesso a escolas, postos de saúde e mercados. Documentos oficiais da prefeitura já revelaram despesas emergenciais até com contratação de barcos para transporte de pessoas em razão da queda de uma ponte na BR-222, o que atesta a gravidade e frequência dos problemas estruturais na região.
Líderes comunitários afirmam que a falta de resposta e planejamento por parte da gestão municipal tem sido uma constante e que a construção da ponte “por conta própria” não é apenas um ato de coragem, mas uma necessidade desesperada para manter a conexão entre famílias e serviços essenciais. Até o momento, a prefeitura não divulgou cronograma oficial para execução de obras de infraestrutura que garantam condições permanentes de travessia nas zonas rurais afetadas.




















