
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz para a travessia de petroleiros e informou que pode romper o acordo de cessar-fogo após novos ataques de Israel contra o Líbano, informou nesta quarta-feira (8/04) a agência semi-oficial iraniana Fars. O novo bloqueio ocorre no dia em que navios haviam cruzado a rota com autorização do Irã, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar as condições de Teerã para a trégua.
Pela manhã, o fluxo marítimo havia sido liberado. Com a permissão de trânsito concedida pelo Irã, os navios de carga NJ Earth e Daytona Beach atravessaram o estreito. A região é uma rota pela qual passa 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural e que registrava uma queda de 95% na circulação de embarcações desde o início do conflito.
Após os ataques no Líbano, uma fonte do governo declarou à agência Tasnim que o Irã considera retirar-se do acordo temporário. A fonte afirmou que a suspensão de ataques em todas as frentes, incluindo ações contra o Líbano, era parte do plano de cessar-fogo de duas semanas mediado e aceito pelos Estados Unidos. O Irã tratou as ações militares desta quarta-feira como uma violação do tratado.
Em decorrência das ações no Líbano, as Forças Armadas do Irã iniciaram a identificação de alvos para uma possível resposta. A fonte do governo informou à Tasnim que o país fará uso da força caso os Estados Unidos não contenham as ações de Israel no Oriente Médio.
“Se os EUA não conseguirem controlar seu cão raivoso na região, o Irã, excepcionalmente, os ajudará nessa questão! E isso será feito pela força”, afirmou a fonte.
Israel não inclui Líbano
Após atacar o sul do Líbano nesta quarta-feira, Israel declarou que o país não está incluído no cessar-fogo com o Irã, patrocinador do Hezbollah. Segundo a Agência Nacional de Informações (ANI, oficial), houve vários ataques contra cidades no sul do país.
Um desses ataques atingiu um prédio na região de Tiro, de acordo com um correspondente da AFP, pouco depois de uma nova ordem de evacuação do exército israelense se referir especificamente àquela área.
O porta-voz do exército em árabe, coronel Avichay Adraee, também ordenou que os moradores de uma vasta área entre a fronteira israelense e o rio Zahrani, cerca de 40 km mais ao norte, saíssem de suas casas, afirmando que “a batalha continua”. As forças israelenses ocupam atualmente uma parte do sul do Líbano.
O exército libanês pediu aos deslocados que “esperassem antes de retornar” ao sul do país, como medida de precaução.
Um correspondente da AFP na região de Tiro viu um pequeno número de pessoas viajando em veículos e famílias com crianças em motocicletas retornando às áreas que haviam deixado no início da guerra.
As incursões e ataques israelenses no Líbano desde 2 de março resultaram em mais de 1.500 mortes e mais de um milhão de deslocados, principalmente do sul e dos subúrbios do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah.
Ali Youssef, de 50 anos, acampado nos arredores do subúrbio sul, disse que estava aguardando “um pronunciamento do Hezbollah” antes de decidir retornar para sua casa na área bombardeada por Israel. “O Irã não vai nos abandonar”, afirmou.
Pouco depois, o Hezbollah disse aos deslocados que não devem retornar para suas casas antes que haja um cessar-fogo “oficial e definitivo”.
Reunião para fim definitivo
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou nesta quarta-feira que a capital do país, Islamabad, receberá delegações dos Estados Unidos e do Irã ainda esta semana, após o anúncio de um cessar-fogo temporário. “Eu… expresso minha mais profunda gratidão às lideranças de ambos os países e convido suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para prosseguir com as negociações visando um acordo definitivo para solucionar todas as disputas”, disse ele em uma publicação no X.
O Paquistão, que mantém relação próxima com o presidente dos EUA, Donald Trump, e é sensível aos acontecimentos no vizinho Irã, emergiu nas últimas semanas como canal de comunicação entre Teerã e Washington. “Esperamos sinceramente que as ‘Conversas de Islamabad’ sejam bem-sucedidas na conquista de uma paz duradoura e desejamos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias”, completou Sharif.
Tanto Teerã quanto Washington anunciaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas pouco antes do prazo estipulado por Trump para aniquilar o Irã. O conflito começou quando Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, que resultaram na morte de seu líder supremo em 28 de fevereiro. A ação provocou ataques retaliatórios de Teerã contra nações do Golfo e Israel.
O Líbano também foi arrastado para o conflito depois que o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou ataques contra Israel, que respondeu com ofensivas aéreas — inclusive contra a capital libanesa — e iniciou uma operação terrestre no sul do país.
Sharif afirmou que o cessar-fogo se aplicava “em todos os lugares”, incluindo o Líbano, embora Israel tenha declarado posteriormente que não interromperia suas operações aéreas e terrestres contra os militantes do Hezbollah.
O cessar-fogo temporário foi alcançado após uma tentativa de última hora do Paquistão e de outros mediadores para evitar a ameaça de Trump de destruir todas as usinas de energia e pontes no Irã — medida que, segundo especialistas jurídicos, poderia constituir um crime de guerra. A Turquia e o Egito também auxiliaram na mediação nos últimos dias. A China ajudou a levar o Irã à mesa de negociações, disse Trump à AFP nesta quarta-feira.
Em publicação separada no X, Sharif informou que a China, a Arábia Saudita, a Turquia, o Egito e o Catar forneceram “apoio para alcançar o cessar-fogo e dar uma chance aos esforços diplomáticos pacíficos”. O líder paquistanês ainda agradeceu às nações árabes do Golfo por seu “compromisso com a paz e a estabilidade na região”.
















