
Uma adolescente identificada como Maria Isis Dama França, de 13 anos, morreu após ser levada para um abrigo administrado pelo município de Buriticupu, a 415 km de São Luís. A Polícia Civil investiga o caso.
Segundo a mãe da adolescente, Larissa Saminês Damas, de 27 anos, o Conselho Tutelar levou as crianças, com ajuda da polícia, após denúncias de vizinhos sobre possíveis maus-tratos. Larissa nega as acusações. A mãe de Larissa morreu em agosto de 2025, e ela passou a cuidar dos irmãos mais novos e dos filhos no povoado Ferro Velho, no município.
Ao todo, eram seis crianças e adolescentes: um rapaz de 17 anos, com deficiência visual; uma adolescente de 14 anos; uma adolescente de 13 anos; um menino de 5 anos; e dois bebês, de 1 ano e 6 meses e de 2 anos. Na casa, também mora uma idosa com mais de 80 anos.
Segundo Larissa, após as denúncias, uma viatura da polícia e um carro do Conselho Tutelar foram até a residência para retirar as crianças. Ela afirma que um dos policiais a ameaçou com uma arma.
“Um dos policiais me ameaçou porque ele pegou a criança da minha mão, que estava amamentando. Como mãe, eu fui pra cima dele para tomar o meu bebê, porque estava chorando, e ele falou para mim que, se eu não saísse de perto dele, ia resolver a situação de outra forma e já foi pegando a arma”, disse.
Morte da adolescente
As três crianças e os três adolescentes foram levados para um abrigo do município de Buriticupu. Segundo Larissa, Maria Isis morreu cerca de um mês após ser levada para a unidade. Maria Isis era filha de Larissa, assim como o menino de 5 anos e o bebê de 1 ano e 6 meses. Larissa afirma que, antes de morrer, a filha contou que havia sofrido uma queda dentro do abrigo.
“Eu fui visitar as crianças e, quando eu cheguei lá, a minha filha não estava. Eu pedi para ir para o hospital querendo ver minha filha”, contou.
Segundo Larissa, ao chegar ao hospital, Maria Isis disse que havia caído no banheiro e batido a cabeça. A mãe afirma ainda que a filha havia perdido os movimentos do corpo.
Larissa também relata que houve uma alegação de que a morte teria sido causada por verminose. A mãe abriu um processo na Justiça para tentar ter os irmãos e os filhos de volta. Ela afirma que quer, principalmente, ter o bebê de volta.
“Eu só quero justiça e quero minhas crianças novamente.”
O que dizem as autoridades?
Em nota, o Conselho Tutelar de Buriticupu informou que as crianças foram retiradas de casa por causa de diversas violações de direitos, entre elas agressões físicas e situações de negligência. Segundo o conselho, a medida foi adotada mediante ordem judicial.
O órgão afirmou ainda que não houve qualquer ação ou omissão, negligência ou responsabilidade por parte dos integrantes da rede de proteção e que todos os procedimentos legais e assistenciais foram adotados.
O Conselho Tutelar informou também que houve internação hospitalar, emissão de atestado de óbito e remoção do corpo para Imperatriz, onde foram realizados os exames periciais necessários.
Até a última atualização desta matéria, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Buriticupu, responsável pelo abrigo onde estão os irmãos e filhos de Larissa, não havia se pronunciado sobre o caso.
















